
De 2020 a 2022, o reajuste só repôs a inflação. Desde 2023, voltou a valer uma regra com aumento acima dos preços.
O salário mínimo é muito mais que o piso de quem ganha menos. Ele é a base de aposentadorias, do BPC, do abono salarial e serve de referência para muitos pisos de categoria. Por isso, a pergunta que importa não é só quanto ele subiu, mas se subiu mais que os preços.
Os valores
| Período | Início | Fim | Alta no período |
|---|---|---|---|
| 2019–2022 | R$ 998 (2019) | R$ 1.212 (2022) | 21,4% |
| 2023–2026 | R$ 1.320 (2023) | R$ 1.621 (2026) | 22,8% |
As altas da tabela são nominais, ou seja, não descontam a inflação. O que diferencia os dois períodos é a regra usada para chegar a cada valor.
O que mudou na regra
De 2020 a 2022, o reajuste do mínimo apenas repôs a inflação do ano anterior. O trabalhador manteve o poder de compra, mas não teve ganho real.
A partir de 2023, voltou a valer uma política de valorização. O reajuste soma a inflação do ano anterior (INPC) ao crescimento do PIB de dois anos antes. Pelo arcabouço fiscal, esse ganho real fica entre 0,6% e 2,5% ao ano.
Em 2026, o cálculo foi de 4,18% de inflação mais 2,5% de ganho real, o que deu reajuste de 6,79%. O mínimo passou a R$ 1.621, pelo Decreto 12.797/2025.
O que isso significa para você
Ganho real no mínimo não fica restrito a quem recebe o piso. Ele aumenta benefícios previdenciários e serve de parâmetro nas campanhas salariais. Quando o mínimo sobe acima da inflação, a negociação de toda a categoria começa de um patamar mais alto.
Na matéria sobre comida na mesa, vamos mostrar a outra ponta dessa conta: o DIEESE calcula que o salário mínimo necessário para uma família seria bem maior que o atual.
Fontes: decretos anuais do salário mínimo (Decreto 12.797/2025 para 2026); Ministério do Planejamento.


